
Cantar é transmitir o que vem do céu. É como o vento que recebe o movimento e se espalha.
É se unir, se perder e se entregar.
Em 1979 gravei três músicas com arranjos do maestro Nelson Ayres. Saulo, meu marido músico já tinha falecido. Eu, tentava voltar a cantar. Fui auxiliada pelo Nelsinho que gentilmente realizou todo o trabalho dos arranjos, convocando os músicos, os estúdios e os técnicos para a gravação.
Essas músicas foram restauradas somente neste ano de 2025, pela Cia do Gato modula som.
Ficaram esquecidas e mudas por quarenta e seis anos.
Olha que o tempo, que foi ontem
Sumiu
Ficou o vento
Ficou a terra
Fiquei
Varrida, partida, sumida
Fiquei
E o tempo…
Sumiu também
Procuro em mim o som da natureza que sou
Belo e bom. O bem
A emoção e a música
O canto voltou, mas até hoje…
O que sinto é forte e sufoca, doi e chora
Mas que música é essa que ouço dentro de mim?
De onde vem?
O silêncio que amo
O som que é seletivo e exigente
O som que inunda tudo rasgando a gente
Vem
O momento da escuta me trouxe a música!